CRITÉRIOS PARA CLASSIFICAÇÃO DE CRITICIDADE PARA ATENDIMENTO TÉCNICO- Parte 3/3
- mauriciocastagna
- 20 de mai. de 2023
- 4 min de leitura
Eng Castagna, Mauricio - Escrito em jan/2018
Este artigo é o terceiro de uma serie de 3 onde discorro sobre a criação de critérios para o planejamento das manutenções, de modo a habilitar o leitor a criar sua agenda de manutenção levando em consideração todas as intervenções técnicas previstas nos equipamentos do hospital, com critérios claros que podem ser discutidos e validados pelas equipes multiprofissionais da qualidade de sua Instituição (O que, aliás, é absolutamente necessário).
Na primeira parte apresentei uma forma de classificar as tecnologias pela criticidade utilizando 5 parâmetros que traduzem as estratégias de negócios do Estabelecimento e associando cada um pela matriz decisória para resultar na classificação. Se quiser ler este primeiro artigo, ele pode ser acessado na minha página clicando aqui.
Já na parte 2 utilizei a classificação de criticidade para determinar a forma de abordagem e a periodicidade em cada tipo de intervenção técnica. Este artigo já permite montar um planejamento com abrangência anual de todo o parque tecnológico com bastante propriedade, e pode ser acessado pelo leitor clicando neste link.
Neste terceiro e último artigo mostrarei como aplicar o método de Schumacher de forma simplificada para avaliar sempre os resultados do certificado de calibração e alterar a periodicidade conforme os resultados. O método em si é bem mais complexo, mas a leitura irá proporcionar uma ideia bem clara do como ele se baseia, o que dará matéria suficiente para aumentar seu poder decisório sobre o tema. Vamos então seguir com o artigo.
MÉTODO SIMPLIFICADO DE SCHUMACHER PARA DETERMINAÇÃO DA FREQUÊNCIA DE CALIBRAÇÃO
PROCEDIMENTO
O método leva em consideração o estado de conservação e funcionamento do equipamento no momento da calibração, entendendo que quanto mais degradada forem as condições, maior a probabilidade de se constatar instabilidade dos parâmetros sujeitos a calibração ao longo do uso e, portanto, menor deve ser o tempo discorrido entre uma calibração e outra.
Vamos começar estabelecendo uma nota de avaliação para o estado físico, de forma simples, mas com critérios. Esta condição é indicada por letras conforme segue:
A - Indica que o equipamento está com avaria impedindo o seu funcionamento.
F - Indica que o equipamento funciona, porém, fora das tolerâncias estabelecidas no ANEXO IV.
C - Indica que o equipamento funciona dentro das tolerâncias estabelecidas no ANEXO IV.
Com base na condição de recebimento do equipamento e nas duas ou três calibrações anteriores, determinamos por meio da tabela 1, qual a decisão que deve ser tomada, ou seja, avaliamos nos dois ou três últimos certificados o erro médio do mensurando em todas as faixas de medição e as condições de CONFORME (C), ou NÃO CONFORME (F) devem ser observadas, e com base da sequência observada mais a medição no certificado atual tomamos a decisão com base na tabela 1. Esta decisão é indicada por letras, conforme segue:
D - Indica que o período deve diminuir em 50%;
E - Indica que o período deve aumentar em 50%;
P - Indica caso duvidoso, e o período não deve ser alterado;
M - Indica que a redução do período deve ser a máxima possível.
TABELA 1 - DECISÃO A SER TOMADA
Condição nos Períodos Anteriores | | Estado no Recebimento | |
| A | F | C |
CCC | P | D | E |
FCC | P | D | P |
ACC | P | D | E |
CF | M | M | P |
CA | M | M | P |
FC | P | M | P |
FF | M | M | P |
FA | M | M | P |
AC | P | D | P |
AF | M | M | P |
AA | M | M | P |
Partindo de uma periodicidade inicial de 12 meses para a calibração, segundo o resultado observado pelo método de Schumacher, eles devem se esticar ou encolher, de acordo com a tabela acima, e os novos períodos sugeridos ficariam da seguinte forma:
TABELA 2 - NOVOS PERÍODOS DE CALIBRAÇÃO
| | Novo Período de Calibração (meses) | | |
Período atual | D | E | P | M |
12 meses | 6 | 18 | 12 | 3 |
Lembrando também que uma manutenção sofrida pelo equipamento que tenha influência direta no parâmetro sob controle, indicaria a necessidade de uma nova calibração, independente do prazo que tenha decorrido da emissão do último certificado.
BIBLIOGRAFIA
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